Como será o futuro da mobilidade no Brasil?
Vida Urbana

Como será o futuro da mobilidade no Brasil?

“Queremos que todos saiam daqui repensando a mobilidade”. Com esta fala de Caroline Volpato, fundadora e head do ecossistema WeMuv, começou a 2ª edição do WeMuv Summit, evento cujo objetivo é proporcionar a conexão de C-levels e diretores de grandes empresas para trocarem experiências e aprimorar o conhecimento sobre tecnologia e futuro da mobilidade.

Durante o encontro, dados sobre a atual situação da mobilidade em todas as partes do mundo, principalmente, no Brasil, foram discutidos, além de tendências para os próximos anos e o que as grandes empresas podem fazer para melhorar a situação do transporte, seja de pessoas ou de cargas, pelo País.

Percebe-se que o comportamento do consumidor está mudando com rapidez, principalmente quando se levam em consideração as novas gerações. Hoje, 34% dos jovens norte-americanos não sonham em ter seus carros próprios; 96% dos acidentes de trânsito atualmente são causados por erro humano; 12% do salário do brasileiro, em média, é gasto com transporte e 29% dos carros noruegueses já são elétricos.

“A economia que uma mobilidade mais eficiente traz é benefício apenas das empresas que trabalham diretamente com isso ou também impacta as lojas de departamento e eletrônicos que venderão mais para as classes mais baixas no fim do mês?”, pergunta Fernando Saddi, CEO e fundador da Easy Carros, uma das empresas apoiadoras do evento. “O futuro é chamado Mobility as a Service. Nessa indústria, as empresas não vendem veículos, elas vendem transporte. O importante é como você se desloca do ponto A ao B”, diz.

Segundo ele, a tendência é que o futuro dos veículos de transporte estejam nas mãos de engenheiros de software, não mais de engenheiros mecânicos. E, com o modelo MaaS, os carros não serão propriedade do indivíduo, e sim das empresas que prestam o serviço de locomoção.

Indústria em Formação

Sylvio de Barros, fundador da Webmotors, iCarros e zFlow, disse que a disrupção, em qualquer mercado, acontece nas bordas das cadeias de valor. “E a disrupção da Webmotors e da iCarros aconteceram nas bordas de três cadeias: automotiva, mídia e financeira. Esta terceira, porque estes negócios são de bancos”, explica. A Webmotors foi adquirida pelo banco Santander, e a iCarros pelo Itaú. Ambos os sites, de compra e venda de veículos, ajudaram a transformar a forma como se comercializa carros no Brasil.

“Acredito que o que vai acontecer com este mercado é muito parecido com o que houve com a indústria da música. Antigamente, comprava-se um disco inteiro só porque se queria ouvir uma faixa. Logo, não será mais preciso adquirir um carro inteiro e deixá-lo guardado na garagem a maior parte do tempo”, diz Sylvio.

Ele acredita que as necessidades do usuário serão cada vez mais ouvidas e o mercado se adaptará ao que o comprador precisa. “Isso precisa acontecer porque o mercado automotivo trata muito mal o consumidor”, ele explica. “Esta indústria nunca vendeu mobilidade. O que se vê nas propagandas de carros é o ‘fun to drive’. E hoje é difícil ter acesso a esse status. O que faz mais sentido é o consumidor ter um híbrido de suas necessidades, e as empresas entregarem a ele o transporte quando o usuário precisa dele. Essa é a cultura que as empresas de e-hailing (que consiste em solicitar um carro por meio do celular), estão criando com os usuários”.

Players

Roberta Ferreira, da ALD Automotive, companhia de terceirização e gestão de frotas, falou um pouco dos desafios da empresa no Brasil. “Hoje, o carro não é mais um investimento, pelo contrário, ele tende apenas a desvalorizar. Então, nosso maior desafio no País era explicar para os clientes que não havia a necessidade de ter um carro próprio. Hoje, com essa questão de compartilhamento em voga, isso está mudando”, diz.

Hoje, o paulistano passa me média três horas diariamente no trânsito. Se este tempo se convertesse em produtividade, seriam  R$60 bilhões que deixam de ser produzidos anualmente, segundo a fundação Getúlio Vargas. Para falar sobre como ajudar a resolver esse problema, Gabriel Arcon, fundador da E-Moving, participou do evento. “Nosso objetivo é mudar a forma como as pessoas se locomovem na cidade, facilitando o transporte por meio das bicicletas elétricas”, explicou.

Diego Van Dyk, gerente de desenvolvimento de negócios da Voom, falou que o maior desafio da startup é escalar pela cidade. “Atualmente, estamos presentes em seis helipontos da cidade. Em São Paulo são cerca de 700 deles. Queremos levar essa oportunidade de se locomover por helicóptero, por meio dos preços baixos, para grande parte da população da cidade e, principalmente, tirar o ceticismo das pessoas com relação ao meio de transporte. Queremos que as pessoas cheguem rápido aos seus destinos e aproveitem melhor o dia.”

Propósito

“Estamos partindo para a 4ª Revolução Industrial, mas trabalhamos ainda como fazíamos na 1ª”, explica Flavio Tavares, um dos fundadores do Instituto PARAR. E o que a mobilidade tem a ver com isso? Como ela se torna responsabilidade das empresas? “É preciso que os líderes repensem os princípios e valores que vão permear sua vida e sua empresa no futuro, muito mais do que se preocupar com a tecnologia do transporte do futuro”, diz.

Anualmente, 34 mil pessoas morrem no trânsito no Brasil, e mais 346 mil ficam com sequelas permanentes. “Além do custo que esses problema traz anualmente para as empresas e o governo, é preciso discutir e investir em safe mobility porque as pessoas estão morrendo. A cada uma hora, 4 pessoas morrem no trânsito no Brasil. E muito mais de 90% delas é por negligência humana”, completa.

 

Fonte:https://startupi.com.br/2017/11/como-sera-o-futuro-da-mobilidade-no-brasil/



Publicado em: 07/12/2017 - Atualizado em: 07/12/2017

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