Carta para as crianças de um futuro não muito distante
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Carta para as crianças de um futuro não muito distante

Bom dia, boa tarde ou boa noite Crianças do meu Brasil do Futuro!
Provavelmente esta carta (missiva), documento eletrônico ou um tipo espectral de língua/código escrita em 2017, em máquinas chamadas Computadores, tenha chegado por alguma cápsula do tempo ou pelo centenário Facebook (uma espécie de mural eletrônico, onde as pessoas deixavam seus recados, expunham suas fotos/imagens estáticas ou em movimento, chamado de vídeo, em 2D, duas dimensões apenas). Aliás, esperamos que esta mensagem tenha chegado. Ou melhor, espero que tenhamos um futuro.
Primeiramente, (aqui, neste momento, alguns gritariam um nome feio politicamente falando! Pesquisem nos livros/websites de história se eles ainda existirem. Só não acreditem nos que o Villa tenha escrito, se é que ficou alguma coisa dele para o futuro!) … Então, primeiramente, venho pedir desculpas pelo futuro que deixamos para vocês, por vários motivos. Eu, Ciclonauta Urbano e todos os outros mais de 500.000 ciclistas da outrora capital paulista, chamada São Paulo, fizemos de tudo para que um futuro melhor chegasse até vocês, lutamos com todas as nossas forças para que a bicicleta, instrumento de locomoção não poluente, propulsionado pelo próprio corpo do indivíduo (aqui chamado de ciclista) e que deslocava com muita facilidade por entre veículos motorizados, altamente poluentes, abastecidos por combustível fóssil (que já deve ter se esgotado antes de seus avós terem nascido). As grandes corporações, o Poder Público (governos federais, estaduais e municipais), a opinião pública parcial dos mesmos motoristas dos veículos poluentes, (que adoravam ficar por horas parados, contemplando seus odômetros estáticos e seus odores, ocasionados pelo calor excessivo de vias sem arborização) nos venceram, exterminando um a um de nós, tanto nas redes sociais, quanto nas ruas, nos atropelando, assassinando com veículos de toneladas, sob nossos frágeis corpos. Tudo isso depois de termos conquistados importantes avanços, como ciclovias, que eram caminhos seguros para nós, pintados de vermelho, uma cor que foi amaldiçoada pelo gestores públicos não-políticos da época, que não tinha nem sangue vermelho, pois era de “sangue azul”, só porque tinha um “rei” na barriga. Fizemos de tudo para conquistar mais espaço ainda para que as gerações futuras, inclusos vocês, tivessem um ar mais respirável, uma cidade mais transitável, uma “saúde de ferro” (velha expressão que designava alguém que gozava de boa saúde). Tentamos também criar um caminho para se chegar ao mar de bicicleta. Não, as bicicletas não eram barcos. Vou me explicar: São Paulo, na época, estava distante das praias uns 100 quilômetros (medida de referência da época), e só haviam maneiras de se chegar lá com veículos motorizados, apesar de em todas as demais vias rápidas as bicicletas poderem transitar, somente nestes 100 quilômetros éramos proibidos, reprimidos com bombas (sim, a violência existia nesta época com pessoas pacíficas como nós) e escorraçados como animais asquerosos. Triste época de lutas. Mas éramos muito felizes mesmo assim, porque pedalávamos para quaisquer partes das cidades, estados e países. Felizes, sempre com sorrisos no rosto, o que nos abriam portas, nos aproximavam de pessoas de todos os tipos e gêneros, que também tornavam felizes diante de nossas vidas alegres, histórias divertidas e convivências tão múltiplas, que fica até difícil explicar para vocês detalhadamente. O Titio Ciclonauta, aqui, fez de tudo para que esta alegria toda chegasse até vocês. Chorei muito antes de escrever esta carta. Chorei de tristeza, por não ter conseguido fazer o meu melhor. Chorei ao vislumbrar o quão sombrio seriam os próximos anos. Chorei pela ignorância das pessoas que, incapazes de ver o bem que atitudes como a nossa fariam ao futuro, continuavam mesquinhamente lutando contra tudo e contra todos pela sua individualidade.
Tentei rasgar a carta (elas eram feitas de papel, produto vegetal, provindo de árvores produtoras de celulose, algo que nem deve mais existir na natureza do futuro), tentei “deletar/apagar” o documento eletrônico, relutei em publicar no Facebook. Tudo isso por que ainda tinha (tenho) esperanças em algo melhor para vocês.
Obs.: Se eu errei no meu prognóstico então fiquem felizes por terem existido ciclistas que deram suas vidas para que as conquistas que, hoje, vocês usufruem, tenham sido alcançadas. E agradeçam aos, outrora, chamados “cicloativistas” por estas benesses. São tantos nomes que seria injusto citar alguns. Mas procurem no buscador/pesquisador de informações eletrônicas (aqui era chamado de Google, hoje nem sei como se chama aí). Só não digitem Bolsonaro, Dória, Temer, Cunha, Presidente Tiririca, pois verão coisas horríveis que nem em seus piores pesadelos teriam aparecido tantas coisas ruins.

Um abraço e um beijo (formas afetuosas de demonstração quando se gosta ou amam as pessoas ao seu redor) do Titio Ciclonauta Urbano (um reles peão do tabuleiro de Xadrez de uma luta pelo futuro)



Publicado em: 14/12/2017 - Atualizado em: 14/12/2017

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