Pedalar Dentro Da Água
Cicloturismo News

Pedalar Dentro Da Água

Ciclovia dentro da água acaba de entrar na lista dos 100 melhores lugares do mundo da revista Times.

Por Denise Silveira*

O sonho de muitos ciclistas se tornou realidade na Bélgica: pedalar dentro da água. A ciclovia é uma ponte submersa dentro de um lago que fica em Bokrijk, Genk, uma reserva florestal com um museu ao ar livre que mostra como era a vida no campo no século XIX. A região é Limburg, província belga de Flandres. É a parte flamenga, onde se fala um dialeto do holandês. A pronúncia é mais ou menos assim: “Bókrrréik”.

Se você acha que não vai conseguir falar o nome, não se preocupe. Dentro e fora do parque há indicações em inglês para “Cycling through the Water”, com a hashtag em flamengo #FDHW.

A ciclovia dentro da água foi inaugurada em 27 de abril de 2016. O sucesso foi tão grande que a atração acaba de entrar para a cobiçada lista dos 100 melhores lugares do mundo da revista Times. O único lugar da Bélgica a entrar na lista.

Bruxelas não está lá, nem Bruges. Embora turistas de todas as partes do mundo visitem a “Veneza belga” atrás dos canais, igrejas medievais, cervejas especiais, chocolates e camisetas com desenhos de bikes. Mesmo não sendo dentro da cidade histórica o melhor lugar para o pedal por causa das pedras antigas das vias.

Além de ter toda a infra-estrutura para o ciclista, Bokrijk tem restaurantes, cafés e atrações culturais. Concertos clássicos, shows de jazz e música popular, além de festivais gastronômicos com foodtrucks.

Igor Philtjens é presidente da Organização de Turismo de Limburg e um dos inspiradores do projeto. Ele conta que o turismo de bicicleta começou a ser incentivado 25 anos atrás. Pedalar faz parte da cultura belga. Todo o ano mais de dois milhões de ciclistas aproveitam as rotas entre as cidades do interior e a simpática acolhida dos moradores. São dois mil quilômetros de ciclovias e 20 mil placas. O tráfego de carros é pequeno e a sinalização das rotas tem uma organização tão impecável que foi copiada por outros países da Europa. Entre os turistas de bicicleta que dormem na região, 70% são belgas. A maioria dos 30 % restantes é da Holanda e Alemanha por causa da proximidade geográfica. A idade varia entre 30 e 65 anos. 45% usam e-bikes, as bicicletas elétricas.

O turista que dorme numa cidade gasta aproximadamente 95 euros por noite, segundo Philtjens. Sem contar as paradas para comer e beber. Com o desaquecimento das indústrias e o fechamento de uma fábrica da Ford, em Genk, a bicicleta é também uma saída importante para a economia. Por isso, três novos projetos estão sendo criados, um deles entre as árvores e outro em cavernas.

O desafio é também tornar possível o pedal em baixa velocidade dentro do parque e fora das ciclovias, o que ainda é proibido.

“Esta é a razão pela qual a Organização de Turismo de Limburg decidiu que nós precisamos continuar investindo e inovando. Não queremos criar mais quilômetros de ciclovias”, diz Philtjens. O objetivo é melhorar as ciclovias existentes.

Turistas não procuram mais apenas visitar um lugar para simplesmente ver. Eles buscam uma experiência diferente. A inspiração belga veio da Noruega, onde o ciclismo nos meses de verão é implementado pela preservação da natureza e o incentivo à cultura, arte e arquitetura.

Os ciclistas já pedalavam nas ciclovias do parque, mas faltava uma interação maior com a natureza. Uma ponte seria apenas mais uma ponte. Dentro da água faz com que o ciclista se sinta parte do verde.

O investimento foi de um milhão de euros. A manutenção é feita em conjunto com o parque, respeita as normas ambientais e cria empregos para organizações que ajudam os menos favorecidos.

Um ano depois da inauguração já era a rota mais popular de Flandres. O sucesso das selfies com hashtags nas redes sociais fez com que dois pontos com visão 360 graus fossem criados.

2016.153452; 21-4-2016; foto’s Guy van Grinsven.

Desde a abertura, meio milhão de ciclistas pedalaram dentro da água. Um número ainda maior de pedestres também caminha nessa rota.

A indicação da revista Times foi recebida como um prêmio. “É um enorme reconhecimento, especialmente porque somos o único lugar da Bélgica na lista e isso vai aumentar a popularidade do projeto”, afirma Philtjens.

Quem sabe os brasileiros, que já são em número maior do que os turistas japoneses na Bélgica por causa do interesse pela produção artesanal de cerveja, comecem a pedalar em Flandres. A experiência de andar dentro da água é realmente inesquecível.

*Denise Silveira é jornalista e esteve em Bokrijk, Genk, de férias,  em agosto deste ano.


Publicado em: 04/10/2018 - Atualizado em: 04/10/2018

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