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Estudo inédito vai revelar a Economia da Bicicleta no Brasil

Painel realizado na sede da Aliança Bike em junho de 2017

Qual a participação da bicicleta na economia nacional? Quantos empregos o setor gera, quantas bicicletas, partes e peças são produzidas e importadas? Quantas bicicletarias existem no Brasil e qual o impacto do uso desse meio de transporte ativo no orçamento familiar? Quanto é investido em estrutura cicloviária, no país, ao longo de um ano? Perguntas como essas estão prestes a ser respondidas de maneira inédita no país.

O estudo Economia da Bicicleta no Brasil, uma parceria da Aliança Bike com o Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ (LABMOB/UFRJ) e apoio do Banco Itaú, Instituto Clima e Sociedade e Bicicleta para Todos, é um dos projetos mais importantes da Aliança para 2017 e está entrando em sua fase de aplicação de metodologia com levantamento de dados, análises de casos e deve ser apresentado no final deste ano. O resultado será um mapeamento da economia gerada por esse meio de transporte ativo para além da cadeia produtiva, além de mostrar toda a complexidade e diversidade que compõe o setor.

“Várias frentes vão se enriquecer com os resultados desse estudo. Para o mercado, a importância é ter dados específicos que vão nos ajudar a ter clareza sobre o setor”, diz Marcelo Maciel, presidente da Aliança Bike. “O levantamento vai ajudar também gestores de políticas públicas a tomar decisões relacionadas ao mercado e ao uso da bicicleta, os jornalistas terão informações mais precisas para divulgar e incentivar o uso desse meio, assim como os membros da academia ganham suporte extra para estudar e aprofundar o assunto.”

O primeiro desafio desse trabalho foi justamente desvendar a economia que gira em torno da bicicleta e é formada por diversas atividades do setor da indústria, de serviços e também de seu uso. Victor de Andrade, do LABMOB/UFRJ e coordenador geral do estudo, explica que a grande surpresa até aqui foi descobrir a capilaridade desse meio de locomoção e os vários aspectos que possui. “A gente tentou ampliar a noção dessa economia e como ela está ligada aos setores produtivos da sociedade e também compreender os aspectos dos custos e benefícios”, explica ele. “O mais interessante é que tivemos esse entendimento a partir do olhar e contribuição de pessoas envolvidas com várias áreas dessa cadeia.”

A metodologia desse estudo foi discutida e validada em um painel de especialistas, que aconteceu em 27 de junho na sede da Aliança, e reuniu representantes da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), União de Ciclistas do Brasil (UCB), Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), Aliança Bike, Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE), Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP), Instituto Clima e Sociedade, Transporte Ativo e Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). O grupo ainda terá mais dois encontros até o final do trabalho.

As diversas atividades do setor da indústria e de serviços que ficaram assim divididas:

Cadeia produtiva – envolve atividades desde a fabricação e montagem das bicicletas e de peças à importação e exportação, passando por serviços como os das vendas, reparos e aluguel.

Políticas públicas – a criação de estrutura cicloviária é um fator relevante dentro da Economia da Bicicleta, assim como o serviço das compartilhadas nas cidades.

Transporte – é um olhar ao aspecto social da bicicleta e seu uso. A ideia desse item é entender o impacto desse meio de transporte no orçamento e na saúde das famílias, assim como o seu uso para fins comerciais, como em Ciclologística.

Atividades afim – aqui entra um misto de várias temáticas, como o esporte, o cicloturismo bem como atividades de pesquisa e inovação.

Mais de 20 estudos técnicos internacionais estão sendo utilizados como referência para conduzir o estudo que mapeará o que se está chamando de “complexo econômico da bicicleta” e todas as duas dimensões. Entre os principais estão:

Economic Impact os Bicycling and Walking in Vermont – relatório que procura estimar o total dos benefícios econômicos de pedalar e caminhar no estado de Vermont, nos Estados Unidos.

The Eu Cycling Economy – relatório da The European Cyclists Federation (ECF) sobre os benefícios econômicos internos e externos da bicicleta na Europa

Análise Econômica do Setor de Bicicleta e suas regras tributárias – o estudo da Aliança Bike analisa o mercado de bicicletas brasileiro e sua regras tributárias, destacando características do setor e indicando possíveis benefícios de alterações na carga tributária.

The Britsh Cycling Economy – ‘Gross Cycling Product’ Report – relatório que procura traçar toda a extensão da contribuição da bicicleta sobre a economia britânica.

Foram estudos que, explica Victor, enfrentaram os mesmo desafios que a equipe brasileira encontra por aqui: a falta de dados disponíveis sobre os modos ativos. “Dados sobre veículos motorizados são muitos, mas os refinados sobre o setor quase não existem. Isso é o resultado de um discurso hegemônico do modo motorizado.”

A equipe vai trabalhar tanto com dados secundários vindos de institutos oficiais, como o IBGE, e em alguns indicadores os valores serão menos quantitativos e mais qualitativos. Como é o caso dos estudos sobre o impacto do Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu e da Copa Internacional de Mountain Bike nas economias locais. Victor aponta que outro ponto importante deste trabalho é que a equipe transformou os dados estruturados pelo Governo em uma Matriz, criando um sistema que permite que as informações sejam renovadas.

O presidente da Aliança explica que esse é o primeiro de uma sequência de levantamentos e que espera-se, com o tempo, a contribuição de mais associações e pessoas ligadas ao setor. “É um estudo feito para ser público, aberto e quanto mais dados pudermos levantar, melhor e mais forte ficara o setor.”

Fonte: http://www.aliancabike.org.br/noticia.php?id_news=156



Publicado em: 21/08/2017 - Atualizado em: 21/08/2017

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