A bicicleta e o interesse dentro da economia nacional
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A bicicleta e o interesse dentro da economia nacional

Acaba de sair do forno um caderno de estudos, os “Textos para Discussão – 2276” sobre “Cidades cicláveis: Avanços e desafios das políticas cicloviárias no Brasil”, organizado por Osmar Coelho Filho e Nilo Luiz Saccaro Junior, pesquisadores do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Trata-se de uma interessante análise, baseada em pesquisa qualitativa, de como a nossa magrela se tornou um caso de preocupação “positiva”, um instrumento icônico e sustentável dentro da mobilidade urbana, além de estar presente na publicidade ou no marketing ecológico de produtos que em nada tem a ver com ela em si.

Alguém aí imaginava que existiam mais bicicletas do que carros no Brasil? Considerando a produção anual e o tempo de vida mínimo dos itens de sete a nove anos, somos 50 milhões de ‘ciclo camelos magrelinhos’ contra 41 milhões de ‘bólidos elefantes metálicos’, mas fazemos apenas 7% das viagens (trajetos), com potencial para atingir 40% em todo o território nacional. A mesma pesquisa indica o rápido crescimento das motocicletas em cidades pequenas, atingindo até 400% em relação aos automóveis (143%, de acordo com os dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios entre 2008 e 2016), ligado ao aumento de renda dentro da parcela da população que andava a pé e de bicicleta.

Dentre as pessoas entrevistas em São Paulo, por exemplo, que escolheram a bicicleta como seu meio de transporte, a pesquisa identificou que 57% das viagens feitas eram entre pequenas distâncias, enquanto para 22% destas viagens a escolha só foi feita porque a escolha de outro meio de transporte era elevada para aquele usuário (dados retirados da pesquisa ‘Origem e Destino’ do Metrô, 2008). A maior motivação do uso da bicicleta é em 70% o trabalho, seguido pela educação com 12% apenas.

No caderno, deste estudo, ainda temos informações de como a bicicleta renasce após o final de sua vida útil, se transformando em cadeiras de rodas por exemplo, ou sobrea as bicicletas de Bambú, feitas em Uganda e exportadas para outros países. Demais assuntos em relação às políticas cicloviárias em relação aos outros modais de transportes também são abordados, de forma bem técnica, mas nem por isso difícil de ser digerida, mostrando como isso impactará mais adiante.

Ficou curioso e tem paciência para ler coisas mais técnicas, então acesse:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/170307_td_2276.pdf

P.S.: Excelente “munição” para discutirmos com aqueles que ainda acham que bicicleta só serve para lazer ou ainda “é coisa dos menos favorecidos”, principalmente os atores do cenário público municipal das médias e grandes cidades, que ainda acreditam que ciclovias atrapalham o comércio e o fluxo dos automóveis.



Publicado em: 25/03/2017 - Atualizado em: 25/03/2017

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