São Paulo Urgente: Ciclovias em vias de extinção!
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São Paulo Urgente: Ciclovias em vias de extinção!

Sei que o assunto é polêmico é que causará muita discussão e discórdia, mas antes de criticarmos uns aos outros é importante dizer: bicicleta não tem partido, bem como as ciclovias também não. Guardem para si o preconceito em relação aos ciclistas e ciclovias, leiam o texto e reflitam!

Quando o prefeito Olavo Setúbal fez a primeira ciclovia paulistana, em 1975, onde é hoje a Avenida Juscelino Kubitschek, pouco se pensava em relação à mobilidade urbana. Nesta época, a cidade era estritamente planejada para os carros. Pedestres então sequer eram cogitados. A partir da década de 1990 e, principalmente, nos últimos anos avançamos muito no quesito Políticas Públicas voltadas para a Mobilidade, com a criação de leis federais e inclusão da bicicleta no Código de Trânsito Brasileiro. A cidade de São Paulo ganhou notoriedade nacional e mundial com a rápida expansão de nossas ciclovias, que beneficiariam quase meio milhão de habitantes, que se utilizam deste modal para se deslocarem pela cidade a trabalho, estudo ou lazer. Mas em uma sociedade conservadora e preconceituosa, como a nossa, onde a bicicleta sempre foi mais vista como “lazer” (ou para alguns “coisa de pobre”) e não como transporte sustentável, prático, rápido e eficiente, ciclovias são vistas como atraso ao progresso, pois atrapalham o comércio, atrapalham o trânsito. Pensamentos assim são preocupantes e totalmente equivocados, pois se em várias cidades do mundo, a questão do uso da bicicleta como transporte é levada a sério, incentivada, estudada e replicada como modelo para outras regiões. Em uma administração que sequer mantém diálogo com seus cidadãos, ao qual a imposição de medidas impopulares, como o aumento “velado” das tarifas de integração entre ônibus e Metrô e o desmonte das ciclovias nas regiões onde mais temos necessidade de Mobilidade, seja ela por transporte público ou cicloviário, isso só nos demonstram a miopia do Poder Público, não só na capital paulista, bem como na maioria das cidades brasileiras. Ciclovias só tendem a beneficiar as cidades, seja no âmbito do bem-estar social, do lazer, mas principalmente no de transportes. As cidades ganham em quesitos como fluidez do trânsito, transporte públicos menos lotados, saúde geral da população, entre diversos outros motivos que sequer são comentados, pois se a população que se utiliza de bicicleta, tende assim a praticar uma atividade física, que gera mais saúde e disposição, melhorando sua eficiência no trabalho, deixando livres mais leitos nos hospitais e pronto-socorros (população saudável = menos visitas médicas, menos stress etc).

Não são só as ciclovias que sofrem com a miopia política. O Brasil abandonou há décadas o modelo ferroviário de transporte intermunicipal e estadual de cargas e, principalmente, de seus cidadãos. Um modelo barato e eficiente, que em muitas das nações economicamente poderosas é ampliado constantemente. E, considerando a Amazônia como exceção, sequer ouvimos falar aqui no Brasil de transporte hidrográfico de cargas e pessoas, justamente em uma nação rica em rios volumosos e bem distribuídos por quase todas as regiões. Triste constatação de que as políticas públicas só beneficiam o transporte rodoviário e o transporte individual motorizado.

Vamos olhar pelo alto estas questões, esquecendo bandeiras partidárias, pois políticas públicas de mobilidade são necessidades de todos, que só trazem benefícios à cidade e seus cidadãos. Ciclovias não pertencem a este ou aquele prefeito, pertencem ao povo. E é o povo que se beneficia disso tudo, pois tanto mais e maiores ciclovias tivermos, mais pessoas sairão as ruas para transitarem entre seus compromissos, menos carros teremos circulando, um ar mais respirável a cidade ganhará. Só temos pontos positivos se analisarmos com calma.

Depois de um alto investimento para se trazer a tona mais de 400 quilômetros de ciclovias, o que incentivou milhares de ciclistas a deixarem seus carros na garagem, a retirada anunciada de mais de 300 quilômetros de ciclovias (a começar pela Zona Leste e a ciclovia da Consolação) é o maior retrocesso que a cidade vai sofrer em décadas. A extinção das ciclovias vai abrir caminho para um retrocesso de décadas de lutas na questão cicloviária.  Além de ser contraproducente e onerar ainda mais os cofres públicos, a proposta de apagamento das ciclovias e sua substituição por ciclorrotas é nada mais nada menos do que colocar o ciclista em posição de perigo de vida e constantes conflitos com motoristas. Ninguém se perguntou quantas vidas foram salvas com as ciclovias? Ninguém se perguntou quanto se economizou na saúde pública com a melhora da saúde deste meio milhão de habitantes, ciclistas cidadãos paulistanos? Alguém sequer cogitou perguntar qual será o gasto milionário para a devida remoção e ressinalização dos locais?! Não seria melhor ampliar a malha e finalmente interligar os pontos ditos “inúteis” e, finalmente, torná-los úteis para o cidadão trafegar e completar seu percurso?! Ciclorrotas colocam mais em risco ainda o ciclista, pois não há segregação, além de que os motoristas vão continuar a desrespeitar a regra de 1,5 metro de distância do ciclista. Remover uma ciclovia alegando ser perigoso para o ciclista e o colocar em uma ciclorrota, que ‘sim’ é mais perigosa, pois estamos na rua, não nos parece um plano estudado sobre o que é melhor para o sistema cicloviário da cidade! Os motoristas paulistanos ainda não estão preparados ou educados para conviver com ciclistas em todas as ruas da cidade, sem a segregação de uma ciclovia, que permitiria a devida segurança de todos os que optaram em utilizar a bicicleta como modalidade de transporte.

As leis que foram criadas para incentivar a mobilidade destruíram os muros que segregavam a população e permitiram que seus cidadãos pudessem exercer seus direitos de ir e vir pela cidade, a acessibilidade universal e a inclusão social, que já eram assegurados, mas não respeitados, como ainda não o são por completo, sejam elam por transporte público ou individual não-motorizado, caso da bicicleta.

As que criticam que a cidade não é lugar para bicicleta eu recomendo justamente que usem a bicicleta e verão o quanto a cidade foi feita ou mal planejada para o cidadão comum, seja ele pedestre, ciclista ou motorista.

No próximo dia 28 de Abril, sexta-feira, teremos o dever de defender nosso lugar no espaço urbano, no direito assegurado de circular com total segurança e comodidade assim como o tem os demais modais de transporte, venha participar da Bicicletada:
https://www.facebook.com/events/1340331332713678

#CicloviaSIM #RetrocessoNÃO

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Para quem quer se aprofundar mais, recomendo a leitura das seguintes cartilhas e documentos:

• CET – Cartilha do Ciclista
http://www.cetsp.com.br/consultas/bicicleta/cartilha-do-ciclista.aspx

• Ministério das Cidades – Cartilha do Ciclista
http://www.cidades.gov.br/images/stories/ArquivosCidades/ArquivosPDF/Publicacoes/cartilhaciclista.pdf
(Leia também a matéria de lançamento desta Cartilha
http://portaldotransito.com.br/noticias/bicicleta/ministerio-das-cidades-lanca-cartilha-do-ciclista
ou
http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/09/cartilha-do-ciclista-ampliara-seguranca-no-transito)

• As diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) – Lei 12.587/2012
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12587.htm

• Direitos Humanos – A Lei de Mobilidade Urbana como Instrumento de Efetivação do Direito à Cidade e à Inclusão Social
http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=17044

• Plano Municipal de Mobilidade Urbana de São Paulo / 2015 – PlanMob
Decreto 56.834, de 24 de fevereiro de 2016 – http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/planmob/index.php?p=212623
PlanMob – Modo Bicicletas – http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/planmobsp-rev002_1428005731.pdf
PlanMob – http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/planmobsp_v072__1455546429.pdf
PlanMob – http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/apresentacao-planmob_1428956826.pdf
PlanMob – http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/um-plano-para-melhorar-a-mobilidade-urbana-2



Publicado em: 24/04/2017 - Atualizado em: 29/04/2017

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