Histórias ciclísticas que só serão lembradas se forem contadas – Parte 1
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Histórias ciclísticas que só serão lembradas se forem contadas – Parte 1

Em tempos de Strava, GPS, Ciclocomputadores e outras parafernálias eletrônicas e digitais, nossos maiores feitos efêmeros serão registrados e guardados para a posteridade, mesmo que ninguém os veja ou se importe com isso. Triste, não?! Agora imagine, em um período em que nem era considerado esporte profissional e sequer tinha a atenção devida, quantas histórias de nossos verdadeiros heróis do ciclismo nacional quase se perderam, justamente em um tempo em que, se não havia tecnologia, a informação também não se espalhava com a fluidez de hoje, e foram esquecidas no limbo da falta de memória de um povo que não cultua seus heróis de verdade.

 

A história de hoje começa com uma conversa que tive com um campeão, filho de outro campeão, ambos chamados Serafim Bontempi, amigos de um campeão maior: Anésio Argenton. Não os conhece? Nunca ouviu falar? Fique tranquilo, poucos sabem suas histórias de lutas, derrotas e vitórias, mas se fosse na Itália eles teriam sido deuses do Ciclismo.

Neste capítulo, vocês conhecerão, talvez, o maior nome do Ciclismo Nacional, que conquistou feitos até hoje inalcançáveis, como vencer a maioria das provas em que competiu aqui no Brasil. Um homem simples, que começou entregando carnes para um açougue, em cima de uma bicicleta. Anésio Argenton venceu a pobreza e subiu nos lugares mais altos que um ciclista brasileiro poderia ter subido, apesar das inúmeras dificuldades.

Nos Jogos Olímpicos de Melbourne (Austrália), em 1956, Anésio Argenton obteve o melhor resultado do Brasil na história das Olimpíadas em provas de pista, recorde que permanece inalcançado, com a 9ª colocação na prova de velocidade. Em Roma (Itália), nos Jogos Olímpicos de 1960, um 5º lugar na prova de velocidade e 6º lugar na prova de 1.000 metros contra o relógio. Além disso, Argenton é o único brasileiro medalhista de ouro em Jogos Pan-Americanos na modalidade ao vencer em Chicago (EUA), em 1959. Também foi Bronze, em 1963, na prova do quilômetro contra o relógio nos Jogos Pan-Americanos de São Paulo (Brasil). Anésio Argenton também era campeão de humildade, simpatia e alegria por onde passava.

Seu nome é motivo de muito orgulho na cidade de Araraquara. E eu só soube dele e de sua história porque o Fim Bontempi, filho do vitorioso Serafim Bontempi, relatou um episódio em que, convencido pelo pai, o jovem Fim ao competir na cidade de Araraquara, deveria vencer e prestar uma homenagem ao Anésio, amigo de longas datas e disputas com o seu pai. Este preparou uma placa comemorativa e um texto emocionante que deveria ser lido pelo filho. Fim Bontempi venceu a prova e fez o que seu patriarca havia lhe pedido. Logo depois pode conhecer o Anésio Argenton, ou “Argentão” para a maioria do amigos, que conquistou a simpatia e a admiração do jovem.

Curiosidades:
Assim como os Bontempi, Argenton era dono de uma bicicletaria que tocou até o final de sua vida.
Na prova em que ganhou o ouro, Argenton não tinha equipe, nem auxiliares, tendo como única ajuda a solidariedade de amigos que fez pelo caminho. No caso, o integrante de outra equipe que segurou sua bicicleta, na largada.

Quer saber um pouco mais?!

Então assistam ao documentário A volta ao mundo de Anésio Argenton

Direção: Fernando Acquarone e Marcelo Paiva Produção: Janeiro Filmes

Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anésio_Argenton e Serafim Bontempi



Publicado em: 08/11/2017 - Atualizado em: 08/11/2017

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