De novo segurança, Ciclonauta?!
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De novo segurança, Ciclonauta?!

MANUAL PRÁTICO DO CIDADÃO CICLISTA PREVENIDO EM RELAÇÃO A ROUBOS E FURTOS NAS GRANDES CIDADES – Volume I

 

Este poderia ser um assustador grande título de um livro ou volumes só com dicas para não ser assaltado, ou se for, como proceder após o roubo ou furto.

Resumidamente também poderemos chamar de GUIA DE SEGURANÇA CICLÍSTICA.

 

Introdução
Na realidade, e sem pretensão alguma, o intuito aqui é ajudar os ciclistas a conviverem com um fantasma que cada vez assombra, não só nossas ciclovias, como ruas, garagens, paraciclos entre outros: A FALTA DE SEGURANÇA e/ou o AUMENTO DOS CRIMES CONTRA CICLISTAS.

Capítulo 1

 

Todos os dias nos chegam relatos de ciclistas que foram furtados, nas mais diferentes situações e locais, bem como roubados, seja com armas de fogo, armas brancas ou na “mão grande”.

Furto é quando “pegam” sua bicicleta de um paraciclo, cortando o cadeado ou trava, sem que você veja, e vão embora.

Roubo ou Assalto é quando, por exemplo, você está pedalando na via e é parado por um indivíduo armado com revólver, faca ou um simulacro (“arminha” de plástico, só para simplificar), com ou sem o emprego da violência.

Pelo Código Penal Brasileiro, os crimes de furto e roubo são tipificados, respectivamente, pelos artigos 155 e 157, tendo como pena de reclusão para o crime de furto a pena de reclusão em regime fechado o período de 1 a 4 anos, mais o pagamento de multa, sendo que se o furto for considerado como crime de furto qualificado, existe um fator de agravamento, que pode dobrar a pena, caso ocorra as seguintes condições, descritas no parágrafo 4 do artigo 155:

I – com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II – com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III – com emprego de chave falsa;
IV – mediante concurso de duas ou mais pessoas.

Já se ocorrer o roubo, crime mais grave mediante a subtração forçada e violenta, com o uso de armas ou não, tipificada pelo Artigo 157, as penas variam de 4 a 10 anos de reclusão.

Triste ver e constatar que estes números só cresceram nos últimos anos. Culpa da crise, da falta de investimento nas forças de segurança, bem como da punição correta pela justiça, falha do “urbanismo” mal planejado de nossas vias, em que muitas vezes não há iluminação, só para citar os principais motivos. Tudo isso justamente em um momento de franco crescimento da bicicleta como meio de transporte e lazer nas grandes cidades.

Só na cidade de São Paulo, ocorreram crescimento do número de ciclistas em determinadas ciclovias que ultrapassa os 1000%, principalmente em relação ao público feminino, que vem cada vez mais aderindo a este modal urbano.

Enquanto isso, só nos primeiros 4 meses do ano, o aumento de roubos foi de 78% em relação ao ano anterior. Um percentual baixo diante a realidade.

COMO ASSIM, CICLONAUTA?!

A imensa maioria das vítimas sequer vão às delegacias dar queixa, abrir um B.O. (Boletim de Ocorrência). E qual a desculpa? Aliás, desculpas: demora no atendimento, horas, por sinal, o pouco caso dos atendentes quando sabem que se tratava de uma bicicleta, o bem roubado, até mesmo a falta de interesse da vítima por não achar que vale a pena reclamar de um item “barato”, sem valor. E, há casos, também, de que a vítima nem comparece, por achar que o advogado do “bandido” saberá seu nome completo e endereço e, assim, irá praticar mais roubos ou furtos em sua residência. Acredite se quiser, mas são fatos que afastam as vítimas de conseguir recuperar seus pertences, que em alguns casos já até foram recuperados, mas não poderão voltar para suas mãos pelo simples fato de que não há B.O. ou reclamação sobre o roubo ou furto daquela bicicleta.

 

A Ciclocidade – Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo – realizou recentemente uma enquete e descobriu que, pelo menos, 50% dos furtos e roubos não tiveram seus registros feitos através de Boletins de Ocorrências. Se não tiver B.O. como a Secretaria de Segurança Pública vai mapear os locais de maiores incidências de roubos ou furtos? Como as Delegacias irão devolver os bens apreendidos? Como o cidadão receberá de volta seus itens furtados e roubados? Ainda não inventaram uma solução mediúnica para achar as vítimas. Faça a sua parte! Compareça a uma Delegacia de Polícia (DP).

Capítulo 2 1/2

NUNCA REAJA A UM ASSALTO. Em hipótese alguma reaja, mesmo que o indivíduo (meliante, bandido, larápio, salafrário, ladrão entre outros adjetivos e substantivos) não esteja portando nada, pois nunca saberemos se ele está sozinho ou em dupla, ou com mais comparsas, ou mesmo se ele está armado ou não. O mais sensato a se fazer no momento é entregar e sair da situação o mais breve possível e com VIDA!

Sua VIDA não vale o que vale a sua bicicleta.
Cada dia que passa os bandidos estão mais violentos e mais audaciosos, sem escrúpulos, sem medir esforços, sem dó e nem piedade. Recentemente, um esfaqueou um ciclista em plena Ciclovia da Radial Leste. Outro dia, um meliante espancou uma ciclista. Teve o caso de um amigo bike courrier, o ‘Bigode’, que levou uma paulada pelas costas, enquanto descia a Avenida Sumaré. A “AVENIDA” e não a Ciclovia, que também é famosa por roubos. Portanto, mesmo quando nos desviamos do local perigoso, podemos cair em outras armadilhas.
Fiquem atentos a movimentações estranhas pelo caminho. Duas pessoas (normalmente menores) em uma única bicicleta já é sinal de cautela.

Informe sempre as Centrais Policiais sobre roubos e furtos que você presencie. Se estiver distante e seguro, registre (filme ou fotografe) e entregue para as autoridades. Mas nunca faça justiça com suas próprias mãos.

Capítulo 3 e 1/4

Verifique sempre ao parar em paraciclos se o mesmo encontra-se encaixado firmemente no chão, caso contrário fuja dali o mais rápido possível, pois pode ser área de furtos constantes. Sim, paraciclos em “U” invertidos tem sido “descolados” do solo para facilitar a subtração de bicicletas, sem o emprego de alicates de corte, no rompimento de correntes e cadeados comuns ou travas menos seguras. E mesmo que encontre um paraciclo “seguro”, só confie se for ficar realmente muito próximo dele, a fim de vigiar com muita constância sua bicicleta.

Prefira sempre estacionamentos fechados e seguros, sejam particulares, de prédios ou condomínios, ou bicicletários onde existam controle de entrada e saída.

Na cidade de São Paulo ainda existem poucos, mais por falta de vontade do Poder Público e incentivo para a empresas em incentivar a Mobilidade Urbana.
Em relação aos cadeados, correntes e travas, dê preferência sempre às de modelo em formato de “U”, também conhecidas como U-Lock. São diversos modelos e marcas, além de níveis de segurança, informados pelos fabricantes em seus sites ou embalagens. Algumas são “quase” invioláveis, devido à sua dureza. Se tiver dúvidas consulte o lojista ou bicicletaria mais próxima de você.

Capítulo 5 quase 6

Pergunta do ciclista:
– Ciclonauta, eu tenho seguro de bike. Posso deixar em um paraciclo sossegadamente?
Resposta do Ciclonauta:
– Depende. Se o seguro que você comprou cobrir furtos, sim. Caso contrário evite parar em qualquer lugar, só em estacionamentos e bicicletários seguros, para o “seguro” valer a pena.

COMO ASSIM, CICLONAUTA?!

As corretoras de seguro e as grandes operadoras, nem sempre nos descrevem como funciona realmente o seguro de bicicletas. A começar pelo valor a ser coberto. Algumas das empresas só fazem coberturas para bicicletas novas e que tenham valor superior a R$ 3.000. Outras oferecem planos de seguros residenciais que só cobrem se sua bicicleta estiver em casa. A maioria não reembolsa furtos, somente assaltos.

Portanto, leia atentamente os documentos, consulte sua corretora, pesquise na internet, veja com amigos que já tenham seguro. No final, selecionei algumas das corretoras que oferecem seguros para bicicletas e outras formas de você se “assegurar”.

 

RESUMÃO DO ENEM DA SEGURANÇA

Dicas importantes:

• Guardar notas fiscais de compra tanto da bicicleta quanto dos acessórios de maior valor (isso ajuda na identificação e recuperação caso o bem seja apreendido pelos policiais militares e/ou civis);
• Fotografe o número do chassis ou quadro, normalmente na parte inferior da bicicleta (se estiver raspado denuncie o vendedor). Caso não encontre o número, solicite ajuda ao fabricante. Guarde-o ou anote-o junto a documentação e/ou Nota Fiscal;
• Fotografe a bicicleta em vários ângulos, bem como detalhes particulares, como acessórios ou, simplesmente, arranhões, pequenos amassos, por exemplo;
• Registre gratuitamente a bicicleta em www.bikeregistrada.com.br ;

• Registre através do Cartório Eletrônico (pago): https://www.rtdbrasil.org.br (no primeiro campo a esquerda, última linha – REGISTRO DE BICICLETAS)
• Faça um seguro, caso sua bicicleta tenha valor acima de R$ 3.000 (existem várias seguradoras especializadas em bicicletas ou seguros em conjunto com residenciais/automóveis, alguns até aceitam bicicletas de valores menores);
• Estacione sua bicicleta sempre em locais próximos de câmeras de vigilância se não houver bicicletários ou estacionamentos ‘bike-friendly’ próximos.

E o mais importante de tudo: use sempre travas de alta segurança, como as de modelo U-Lock, a fim de evitar furtos.

Se sua bicicleta foi furtada ou roubada, dirija-se a uma Delegacia – não é necessário que seja a do seu bairro ou a do local onde ocorreram o roubo ou furto, por mais que os atendentes na delegacia digam isso. Insista, pois é seu direito ser atendido(a).

Você também poderá fazer um cadastro da bicicleta roubada no site abaixo:

http://www.bicicletasroubadas.com.br

Após isso, verifique sempre que possível, no site abaixo, se ocorreu a recuperação da sua bicicleta:

• Segurança Pública / Consulta de Bicicletas Recuperadas pela Polícia – http://www.ssp.sp.gov.br/consultabicicleta

Assista, também, como a Polícia Londrina prova que não existem cadeados, correntes ou travas 100% eficientes. Mas não se preocupe se não souber inglês, o vídeo por si só é bem instrutivo e didático:

• The Cicle Show / How secure is your bicycle lock? (O quão seguras são suas travas de bike?) – https://www.youtube.com/watch?v=pywN558dJaU

 

Se sua bicicleta foi roubada ou furtada divulgue em:
• Bicicletas Roubadas e Recuperadas (divulgação) / SP e Grande SP – https://www.facebook.com/groups/BicicletasRoubadasRecuperadas
• Esta bike foi roubada? – https://www.facebook.com/groups/1617314181826845

 

Epílogo

Fique ligado! Nesta selva de animais de aço e selvagens sem coração, nunca perca de vista sua “magrela”, nunca reaja, por maior que seja sua paixão por ela, e nunca confie em travas, correntes e cadeados muito baratos, pois o barato sai caro!

Abraços Ciclonaúticos



Publicado em: 14/07/2017 - Atualizado em: 18/07/2017

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