Entre o nomadismo e o sedentarismo não-sedentário
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Entre o nomadismo e o sedentarismo não-sedentário

Depois de seis meses pedalados do Sul ao Sudeste do Brasil, eu (Djoe) e a Iris encostamos nossas bicicletas em São José dos Campos – SP, onde investimos nosso tempo e disposição em levantar fundos para conseguirmos bons equipamentos para registrar a viagem, coisa que se deu de diversas maneiras. Em um financiamento coletivo, muitas pessoas que apoiam e seguem nosso projeto nos deram mais uma força para irmos além, o que somado aos nossos esforços como artistas de rua e funcionários de um buffet de crepe francês nos possibilitou adquirir a nossa tão estimada GoPro e seus equipamentos! ÊÊÊ!! Além disso, aproveitamos o tempo estacionados pra tirar nosso passaporte e dar jeito em outros trâmites burocráticos que se podem agilizar estando parados numa cidade.

(Primeira da série de colagens que fizemos pro financiamento coletivo)

 

(trabalhando com/a arte – tocar nas ruas)

Considerando-se que mesmo parados estamos sempre em movimento, nós também aproveitamos o tempo nessa cidade – babilônica e com trânsito infelizmente sofrido pras bicicletas que saem de longe do centro – pra apreciar alguns eventos culturais que encontramos pela cidade, bem como pra sermos nós o evento em cada tocada no calçadão do centro.

Essa é uma das coisas boas de se estar em cidades um pouco maiores: diversidade. Teatros ao ar livre no parque da cidade, outros artistas de rua compartilhando suas artes, apresentações em espaços públicos e em casas culturais diversas, exposições, feiras… quase sempre existem boas opções (baratas e/ou muitas vezes gratuitas) para o que se fazer. Uma pena aqui em SJC (São José dos Carros) foi proibida a atividade dos malabaristas, coisa que cabe ser repensada pelas autoridades e por quem quer que não compreende o papel importantíssimo da arte e da autonomia financeira na vida das pessoas.

 

Estacionados, percebemos que é muito contrastante o choque entre viver pedalando constantemente e viver novamente morando em uma casa. Por mais que nos habituemos com a fluidez da estrada, com os horários e cuidados de nosso próprio corpo e com nossa falta de pressa, é difícil estar parado e não cair em algumas rotinas e padrões sedentários. Óbvio que na estrada acabamos tendo rotina, porém a diferença é que enquanto estamos vivenciando o desconhecido das estradas, das cidades e dos lugares por onde nunca antes pisamos, estamos sendo expostos constantemente à novidades. Esse fato nos joga pro único momento que realmente existe nas nossas vidas, que é o Agora, e nos faz ser muito verdadeiros em quem somos a cada momento, além de fazer com que sejam extremamente corriqueiras situações sincrônicas e que pareçam ter sido planejadas no mais perfeito plano de viagem.

A falta dessa latência do Agora na vida sedentária torna muito mais trabalhoso manter-nos centrados em nosso propósito de viver com pouco, de reduzir nosso impacto ambiental, de viver a liberdade do tempo sendo Arte e não dinheiro, de viver com muito menos estresse… Várias situações nos faziam querer novamente a estrada, coisa que anima nosso espírito, pois nos mostra que estamos encontrados em nosso caminho “dizilizante”.

 

(colhendo a conexão com a terra numa chamada urgente)

Uma coisa interessantíssima que percebemos foi que, uma vez que não estávamos mais pedalando quase 100km por dia, não demorou para que nosso corpo clamasse por atividade física. Desse fato, resultaram boas caminhadas, corridas, yoga, trabalhos na horta, alongamentos e excursões à pé para resolver o que quer que fosse. Sentimos também muito clara a diferença nas nossas necessidades alimentares. Já não nos cabia comer muito e o corpo respondia à cada alimento “podrex” (que é como chamamos aquelas comidas que são venenosamente gostosas – laticínios, gorduras e afins) ingerido. Sentimos claramente nosso corpo clamar por saúde e, por excessos, reclamar. As mudanças em nossos horários biológicos (dormindo mais tarde, acordando mais tarde) também nos baixaram um pouco o ritmo, mas nada que grudasse nossas bundas às cadeiras.

 

De qualquer maneira, foi muito importante e bem aproveitado o tempo que encostamos nossas bicis e só temos a agradecer ao universo pelas oportunidades que tivemos e pelos apoios que recebemos de muitas pessoas e das mais diversas maneiras. Foi um “pit stop” necessário para a continuidade da viagem, uma vez que agora partimos mais estruturados para enfrentar o tempo fora de casa, ou na realidade, com a casa no bagageiro. Com o tempo se entende que estar em movimento é muito mais do que simplesmente ir de um lugar para o outro, mas sim reciclar-se a cada momento, estar com a mente atenta e o coração aberto para conseguir viver verdadeiramente cada instante de nossas vidas com todo o empenho necessário para chegar “onde” queremos.

 

Já estamos conspirando nossas próximas investidas rumo ao norte e em breve estaremos novamente na estrada. Enquanto isso, nas nossas mídias sociais seguimos postando as novidades e mantendo contato com todos aqueles que viajam conosco!

Aos leitores, há braços.

 



Publicado em: 29/11/2017 - Atualizado em: 29/11/2017

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