Casal sai de bicicleta de Valinhos e, 3 mil km depois, nem pensa em voltar: ‘Melhor coisa que eu fiz’
Cicloturismo

Casal sai de bicicleta de Valinhos e, 3 mil km depois, nem pensa em voltar: ‘Melhor coisa que eu fiz’

Quantas vezes você imaginou largar tudo e viajar? O casal Renato Casacio, de 33 anos, e Natália Mourão, 27, decidiu realizar este sonho e vive a aventura há um ano. Munidos de bicicletas, a dupla partiu de Valinhos (SP) em agosto de 2017 e, 3 mil quilômetros depois, se aproxima da Chapada dos Veadeiros (GO).

“Quando eu decidi que queria viajar, não houve qualquer empecilho na minha vida. Acredito que tenha sido a melhor coisa que eu fiz”, diz Natália.

Sem planos de onde chegar ou quando voltar, o casal acumula aventuras e histórias pelos quatro estados que já visitou: São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

“É uma satisfação poder se deslocar, ainda mais por uma distância tão grande, só com a força das próprias pernas, sem precisar de uma gota de combustível. É muito legal essa sensação”, afirma Renato.

Casal e um amigo admiram mirante na Chapada dos Guimarães (MT), em março de 2018 — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

Casal e um amigo admiram mirante na Chapada dos Guimarães (MT), em março de 2018 — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

45 km por dia

O casal conta que pedala em média 45 km por dia, mas a dupla chegou a ficar até três dias direto na estrada. Entre os desafios, diz que arranjar lugar para passar a noite e acampar foi o mais desgastante.

Apesar das dificuldades, os dois afirmam que a experiência vale a pena, principalmente pelos “lugares incríveis e pessoas maravilhosas” que cruzaram pelo caminho.

“Escutamos um miado vindo do canavial. Era um filhotinho assustado correndo em nossa direção. Colocamos ele dentro da capa do violão e resolvemos levá-lo. Agora, ele tem um lugar apropriado para viajar e é como se fosse da família”, conta Natália.

O gato Caju já viajou por mais de 1 mil km com o casal. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

O gato Caju já viajou por mais de 1 mil km com o casal. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

E o dinheiro?

Uma viagem desse porte exige logística e, claro, dinheiro. E a saída para a questão financeira foi engenhosa. Músico, Renato leva uma carreta com instrumentos musicais e, nas paradas, garante o financiamento da aventura tocando em bares e restaurantes.

Além disso, para diminuir gastos, os viajantes carregam uma estrutura para preparar a comida. Barraca é a solução para as noites de sono, mas nas cidades em que ficam mais tempo, o casal aluga um lugar para ficar.

“Geralmente acampamos em postos e restaurantes de beira de estrada. Quase todos têm banho e raramente cobram. Quando contamos que somos ciclistas, acaba rolando um desconto”, relatam.

Renato e Natália preparam uma estrutura para carregar objetos para cozinhar e instrumentos musicais. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

Renato e Natália preparam uma estrutura para carregar objetos para cozinhar e instrumentos musicais. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

O primeiro destino do casal foi a Chapada dos Guimarães (MT). Por lá, a dupla permaneceu três meses. A escolha pelo Mato Grosso veio pelo interesse em conhecer o estado. A experiência foi marcada por estradas ruins, sem acostamento e com muitos caminhões.

“Nesse sentido, foi desgastante e estressante”, lembra o músico.

Outro ponto que chamou a atenção foi a destruição do Cerrado, não só no Mato Grosso, mas no oeste de Goiás.

“É muito triste ver as fazendas dominando tudo, muitos bichos mortos, riachos assoreados. A situação esta muito séria mesmo. Como a conscientização ambiental passa longe dessas regiões, faz tempo que não vemos cidades que tenham coleta seletiva de lixo”, diz Renato.

Casal de ciclistas partiu de Valinhos (SP) e já pedalou mais de 3 mil km. Lagoa Santa(GO), da foto, foi um dos destinos visitados — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

Casal de ciclistas partiu de Valinhos (SP) e já pedalou mais de 3 mil km. Lagoa Santa(GO), da foto, foi um dos destinos visitados — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

Dificuldades e beleza

Em três dias diretos na estrada, entre as cidades de Cassilândia (MS) e Chapadão do Sul (MS), Renato e Natália pedalaram num trecho precário, sem acostamento e com tráfego intenso.

Eles contam que, no segundo dia, foram surpreendidos por um pneu furado, chuva intensa e, ainda, nos últimos 10 km do trajeto, se depararam com um baita subida.

“Saímos de 400 m para 700 m de altitude”.

Após a dificuldade, assim que chegaram no Chapadão, eles conheceram um rapaz chamado Altair. Além de pagar uma refeição aos viajantes, o novo amigo comprou dois pneus novos para Natália e fez manutenção completa nas duas bicicletas.

“No meio do caminho tivemos uma belíssima surpresa. A Cachoeira das Araras, uma das mais bonitas que ja conheci”, lembra Renato.

O músico ainda recorda a recepção acolhedora de uma família que administra a fazenda onde fica a cachoeira. Lá, recebeu um quarto para dormir. “Foi um ponto de apoio maravilhoso”.

Cachoeira dos Araras encantou os ciclistas duranyte a viagem. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

Cachoeira dos Araras encantou os ciclistas duranyte a viagem. — Foto: Renato Casacio/Arquivo pessoal

O casal

Professor de música, Renato trabalhou em uma escola de Valinhos entre os anos de 2008 e 2017, e, nos períodos de férias, costumava conhecer o Brasil com sua bike. Visitou Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o litoral paulista.

Engenheira ambiental de formação, Natália conheceu Renato quando o músico se apresentou em Bauru (SP), onde morava com a mãe. Estão juntos desde então.

O músico já tinha a viagem planejada quando conheceu a esposa. Natália nunca tinha pedalado antes, mas “abraçou a ideia com coragem”, conta Renato. Eles contam que fizeram um treinamento de poucos dias e pegaram a estrada.

“Além de poder estar ao lado de uma pessoa que eu admiro muito e amo, está sendo uma experiência única”, afirma Natália.



Publicado em: 28/09/2018 - Atualizado em: 28/09/2018

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